ELLEN WHITE E O CASAMENTO INTER-RACIAL

Contra Deus? Uma espécie de “proteção” para os negros? Ou simplesmente racismo disfarçado?

Amados leitores; eis mais um tema bastante polêmico; isso, devido a certas declarações de  Srª. Ellen G. White. Sim; como o título já diz, estamos falando das orientações onde ela cita os negros ou a raça negra. Seus escritos foram preconceituosos? Sim? Não? Tais afirmações vieram mesmo de Deus? Estavam em sintonia com a Bíblia? Será que as declarações da Sra. White foram realmente como alegam alguns teólogos, para “proteger” a raça negra do racismo; ou apenas para alimentá-lo ainda mais? Seriam estas declarações “só para aquele tempo”?
Como Ellen White não escreveu absolutamente nada sobre como descobrir a “validade” de suas visões; então, como poderemos compreendê-la? (Curioso para nós adventistas, é como a administração segue certos escritos dela até hoje, mas outros eles deixam simplesmente aos ventos) Até quando deveria haver essa “abstinência” matrimonial/racial?
Existem várias outras, mas separamos algumas citações da Sra. White, para uma pequena análise. Pedimos a todos que, por favor, examinem com bastante atenção tudo que for exposto, de preferência, sempre conferindo nas fontes (os grifos são nossos):
O nome do negro está escrito no livro da vida, junto do nome do branco. Todos são um em Cristo. O nascimento, a posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens. O caráter é que faz o homem. Se um pele-vermelha, um chinês ou africano rende o coração a Deus em obediência e fé, Jesus não o ama menos por causa de sua cor. Chama-lhe Seu irmão muito amado.” (The Southern Work, pág. 8, escrito em 20 de março de 1891. )

"Você não tem licença de Deus para excluir as pessoas de cor de seus lugares de culto. Tratá-los como propriedade de Cristo, que eles são, tanto quanto vocês. Eles devem serem membros da igreja com os irmãos brancos. Todo esforço deve ser feito para acabar com a terrível e errada escravidão que fizeram deles. Ao mesmo tempo, não devemos levar as coisas ao extremo e executando em fanatismo sobre esta questão. Alguns poderiam pensar que tem o direito de derrubar todas as paredes de partição e casam com pessoas de cor, mas isso não é a coisa certa a ensinar ou praticar. " ( The Southern Work, P. 15 - www.ellenwhiteexposed.com- Ellen White and the Negro Race)


Têm sido erigidos muros de separação entre os brancos e os negros. Esses muros de preconceito ruirão por si mesmos, como aconteceu com os muros de Jericó, quando os cristãos obedecerem à Palavra de Deus, a qual recomenda que tenham supremo amor a seu Criador e amor imparcial ao próximo.” (Review and Herald, 17 de dezembro de 1895).
Oportunidades estão sempre aparecendo nos Estados do Sul, e muitos homens de cor são chamados ao trabalho. Mas, por muitas razões, os brancos devem ser escolhidos como líderes. Todos nós somos membros de um corpo que é completo unicamente em Jesus Cristo, que vai elevar seu povo do baixo nível que o pecado degradou e então serão colocados onde devem ser reconhecido nas cortes celestiais como trabalhadores juntos a Deus.”(Testimonies for the Church volume 9, pg 202.)
As pessoas de cor não devem pressionar para serem colocados em igualdade com os brancos. –( Testimonies for the Church volume 9, pg 214).
"O trabalho de proclamar a verdade para este tempo não deve ser prejudicado por um esforço para ajustar a posição da raça negra." (Testimonies Vol. 9., Página 214, parágrafo 4)
“Somos uma irmandade. Não importa qual o ganho ou a perda, temos de agir nobre e corajosamente à vista de Deus e de nosso Salvador. Que nós, como cristãos que aceitam o princípio de que todas as pessoas, brancas e negras, são livres e iguais, adotemos este princípio, e não sejamos covardes em face do mundo, e em face dos seres celestiais. Devemos tratar as pessoas não-brancas com o mesmíssimo respeito com que tratamos as brancas. E podemos agora, por preceito e pelo exemplo, ganhar outros para o mesmo procedimento. Mas há uma objeção ao casamento de brancos com negros. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer a sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitaria a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida. Por essa razão, caso não houvesse outras, não deveria haver casamentos entre brancos e negros. (Manuscrito 7, 1896).
“Em resposta a indagações quanto à conveniência de casamento entre jovens cristãos brancos e negros, direi que nos princípios de minha obra essa pergunta me foi apresentada, e o esclarecimento que me foi dado da parte do Senhor foi que esse passo não devia ser dado; pois é certo criar discussão e confusão. Tenho tido sempre o mesmo conselho a dar. Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo. Que o irmão negro se case com uma irmã negra que seja digna, que ame a Deus e guarde os Seus mandamentos. Que a irmã branca que pensa em unir-se em casamento a um irmão negro se recuse a dar tal passo, pois o Senhor não está dirigindo nessa direção. O tempo é demasiado precioso para ser perdido no conflito que surgirá em torno desse assunto. Não se permita que questões dessa espécie afastem nossos pastores de seu trabalho. O dar tal passo criará confusão e embaraço. Não será para o avançamento da obra ou da glória de Deus.(Carta 36, Sanatório, Califórnia, 7 de agosto de 1912 )
"Vocês são filhos de Deus. Ele adotou vocês, e Ele deseja que formem características aqui que lhes darão entrada na família celestial. Lembrando disso, você será capaz de suportar as provações que encontrará aqui. No céu não haverá nenhuma linha de cor, pois todos serão brancos como o próprio Cristo. Agradeçamos a Deus por podermos ser membros da família real.”
(O Arauto do Evangelho, 01 março de 1901, n º 20)(The Gospel Herald, March 1, 1901, paragraph 20, Article Title: Trust in God.)

"Homens de cor estão inclinados a pensar que eles estão equipados para o trabalho para as pessoas brancas, quando deveriam dedicar-se a fazer trabalho missionário entre as pessoas de cor. Há muito espaço para inteligentes homens de cor para o trabalho para seu próprio povo. Que aqueles homens de cor que estão equipados para o cargo de superintendente de Escola Sabatina lembrem que eles podem fazer uma obra muito necessária, estabelecendo escolas dominicais e Escola Sabatina, entre as pessoas de cor. (Manuscript Releases, Volume Quatro, página 18 parágrafo 2 página-19 n º 3.)
Como os amigos leitores devem ter notado; temos declarações favoráveis aos negros... E outras nem tanto, não é mesmo? Aliás, algumas delas incisivas e totalmente arrasadoras. O objetivo deste artigo é demonstrar a atitude ambígua, do tipo “morde e assopra” que ela usou ao escrever sobre os negros. Mas afinal de contas; de que lado Ellen White realmente estava?

 

Antes de iniciarmos a análise sobre o tema em questão, gostaríamos de lembrar que: Deus é Amor.
Todos sabem muito bem as barreiras criadas entre negros e brancos no passado: Seja nos locais de trabalho, nas instituições, nas escolas, nos hospitais, estabelecimentos em geral, em muitos locais havia ala para brancos e ala para negros. Havia até mesmo bairros só para negros... Essas separações preconceituosas tiveram em sua origem o forte racismo que predominava na época. Talvez podem ter sido ainda mais fortalecidas, justamente por certas declarações... Como essas que EGW escreveu. Ou não? Que cada um tire suas próprias conclusões.
Desde o amálgama.
Este artigo não é sobre esse tema, mas tem forte relação com ele; assim sendo, pedimos que todos que não leram ainda, que o façam (clique aqui: ). As declarações da Sra. White sobre o amálgama, (na qual afirmava que tal pecado gerou certas raças de homens que não foram criados por Deus e podiam ser vistos na sua época) criaram deduções e alimentaram insinuações racistas sobre os negros.



 
Depois do “barulho” causado e do silêncio de EGW sobre isso, podemos até presumir que ela tentou se redimir mais tarde, escrevendo algumas palavras de apoio aos negros. Mas o que fica em aberto mesmo é: Se desde o princípio ela era uma “protetora” dos negros, por que ficou calada diante do racismo existente na igreja em sua época? Uria Smith escreveu um livro onde alimentava o racismo contra os negros e a Sra. White nada fez, e o que é pior, ela ainda ajudou a distribuir muitos exemplares do tal livro.

 
Os muros cairão - Então devemos reforça-los?!
Têm sido erigidos muros de separação entre os brancos e os negros. Esses muros de preconceito ruirão por si mesmos, como aconteceu com os muros de Jericó, quando os cristãos obedecerem à Palavra de Deus, a qual recomenda que tenham supremo amor a seu Criador e amor imparcial ao próximo. ”
Review and Herald, 17 de dezembro de 1895.
Observem a contradição: Se todos devemos amar imparcialmente o próximo e na Bíblia já estava escrito que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34), como que Ellen White levanta mais uma parede, proibindo o casamento inter-racial? Será que as declarações dela sobre a proibição do tal casamento, não ajudaram a “reforçar os muros” que ela mesma citou?

 
Não é contraditório? As paredes do preconceito cairão, quando os cristãos obedecerem à palavra de Deus, que prescreve amor imparcial ao seu próximo... Mas ao mesmo tempo, segundo EGW, casamento entre brancos e negros não é direção de Deus!
“Mas há uma objeção ao casamento de brancos com negros. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer a sua prole àquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitaria a uma vida de humilhação.” Manuscrito 7, 1896.
Numa linguagem mais acessível, ficaria mais ou menos assim:
“Vocês devem amar imparcialmente seu próximo, mas não devem permir que brancos casem com negros. Essa proibição é para proteger os filhos de uma coisa ruim que os negros vão trazer para o casamento: A raça.”
Estranho não? Se todos os cristãos seguissem a mensagem de Ellen white proibindo casamentos inter-raciais, como que os “muros do preconceito” iriam desmoronar? Ela diz que eles (os muros) cairiam, mas ao mesmo tempo, levanta mais um (gigantesco ainda por cima)? E notem que ela compara a queda dos muros de Jericó, com o racismo de sua época; mas, ora, os muros de Jericó ruíram devido ao poder de Deus através do som das buzinas dos sacerdotes juntamente ao grande brado do povo (Josué 6:2-20), conforme Deus orientou. Os muros não caíram por si mesmos, como ela relatou. Houve um propósito, houve um planejamento, houve uma ação! E como os muros do preconceito cairiam sozinhos, se a “mensageira divina”, escreve tal absurdo sobre o casamento? A Sra White só reforçou os tais “muros”, adiando em muito o “brado do povo” contra o racismo.
Proteção para os negros ou para os brancos?
Se um pele-vermelha, um chinês ou africano rende o coração a Deus em obediência e fé, Jesus não o ama menos por causa de sua cor. Chama-lhe Seu irmão muito amado. ”  The Southern Work, pág. 8, escrito em 20 de março de 1891.
Vejam que os pele-vermelha (índios) entre outros; estão dentro da mesma situação que o africano (negro); mas por quê EGW reprovou somente o casamento entre brancos e negros? Se ela queria “proteger” uma raça, por que só os negros foram citados? É notório que os índios e outros povos não-brancos, também sofriam! É bem válido lembrar que o tempo de Ellen White (século XVIII), era o tempo do “Faroeste”, os índios estavam sendo mortos e expulsos de suas terras no oeste dos EUA. Havia muito preconceito para com os índios americanos; mas então, segundo EGW, podia haver um casamento de brancos com índios? E um índio com negro? Ellen white não falou nada sobre esses tipo de casamento; mas havia o racismo contra o índio, sim! Deus então queria “proteger” só os negros e os índios não? Não é estranho?

 
Seremos “brancos” como Cristo?
No céu não haverá nenhuma linha de cor, pois todos serão brancos como o próprio Cristo”.  O Arauto do Evangelho, 01 março de 1901, n º 20 (em inglês).
Ao declarar que “no Céu todos serão brancos como Cristo; Ellen White só fez esmagar ainda mais o tão sofrido ego dos negros. Mesmo que tal afirmação fosse verdadeira, ela poderia ter poupado as pessoas negras de sofrer tamanha humilhação devido a tal declaração. Ela não vivia num tempo fortemente racista? Segundo seus defensores; ela não queria “proteger” os negros? Ao escrever tal coisa, muitos brancos com certeza ficaram “inchados de orgulho” e podem ter usado tal escrito para denegrir e arrasar ainda mais a raça negra. Por amor ao bom senso e a razão: É assim que se “protege” alguém? Aqui Ellen White exaltou a raça branca a altura do divino e rebaixou a negra ao nível do esquecimento, ou seja, deu mais “munição” aos racistas, isto é obvio, isso é inegável.
Quem foi “covarde”?
“Que nós, como cristãos que aceitam o princípio de que todas as pessoas, brancas e negras, são livres e iguais, adotemos este princípio, e não sejamos covardes em face do mundo”. Manuscrito 7, 1896.
Diante desta declaração, perguntamos agora: Se não devemos ser covardes perante o mundo, por que declarou algo que só favoreceu e fortaleceu o preconceito e a covardia que o mundo apresentava contra as pessoas de cor? Pelo visto, aquele casal inter-racial que queria o matrimônio (e EGW desaprovou totalmente em carta), este casal sim, não foi covarde em face do mundo! E notem que a ela não esboçou nenhuma reação de lamento ou pesar para com o sentimento do tal casal. Em outras palavras, ela taxativamente disse para o negro procurar uma negra e a branca procurar um branco, e que esquecessem tal união. Simples e direto assim, sem “floreios”.
Livres e iguais?
É verdade que ela também afirmou que “somos uma irmandade e quetodos são livres e iguais” (Mens. escohidas, vol. 2, pag, 343, par. 2). Mas na hora de casar, a liberdade e a igualdade acabam? Então, não seriam as pessoas assim realmente iguais, muito menos livres. Se a pessoa não pode se casar com quem ama, porque a cor de sua pele é diferente e isso causa revolta, preconceito e até mesmo o próprio Deus desaprova... Então ninguém é livre, ninguém é igual...
Na sequencia de suas declarações nós encontramos a seguinte afirmação: “Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo”- Mesmo dentro da “igreja verdadeira” e do “povo escolhido” (adventista), tal amor e relacionamento não deveria chegar ao matrimônio; isso seria “uma perda de tempo” e parece que os pastores da época tinham coisas mais importantes para fazer do que ajudar um casal inter-racial que se amasse.
O casal deveria escolher entre viver em pecado (viver juntos sem casar) ou arrancar de qualquer jeito o sentimento de amor de dentro do peito, pois os pastores estavam muito ocupados pregando a “verdade”; e não seria interessante para o avanço da “obra de Deus”, unir em matrimônio quem se ama, mas tem a cor da pele diferente. Não podemos deixar de notar o acentuado desprezo para com os sentimentos alheios... Ou seria mais uma invenção desse “maldito” site? O que os nobres leitores acham?
Na direção de quem?
A Sra. White afirmou que não deveria haver casamentos desse tipo; pois o Senhor Deus não estava orientando nessa direção (Carta 36, Sanatório, Califórnia, 7 de agosto de 1912 ). Com base na linha de raciocínio acima, imaginemos por um momento, se todas, repetindo, todas as pessoas da época em que foram escritas estas declarações (1912) absorvessem essa “mensagem celestial” colocando-a em prática. Com o passar do tempo, os “mestiços” iriam diminuindo, desaparecendo, e quando chegasse a surgir algum bebê de cor, vocês conseguem imaginar a reação das pessoas? Elas não diriam frases como:



Lá vai o fruto de um ato pecaminoso, contra a vontade de Deus”.
 








Agora vejam amigos leitores:



A frase que acabamos de escrever é injusta?



É preconceituosa?
É racista? Seja sincero e responda... Já respondeu?

O caso é que, segundo as declarações de EGW, ela está correta, pois um mestiço seria fruto de uma desobediência a Deus.
Prezado leitor; se tal casamento não era na direção do Senhor, então era na direção de quem? Obviamente, aquilo que não é na direção de Deus, é contra Deus. E sendo contra Deus, logicamente é a favor de quem? Quem é o anticristo? Quem é contra Deus? Satanás. Então podemos dizer que, todos os casais inter-raciais que se amavam genuinamente e queriam se casar naquele tempo... eram na direção de satanás? Mas satanás é amor? Ele tem o poder de colocar amor genuíno no coração das pessoas?

E o amor ao próximo? Passou bem longe...
Vamos repetir a pergunta que fizemos alguns parágrafos atrás: É assim que se “protege” alguém contra o preconceito? Criando mais preconceito? Dizendo que Deus não aprova um casamento com o amor que Ele próprio colocou? Que os filhos nascerão em “desvantagem” em relação as demais crianças? Que os bebês seriam “marcados” para sempre por um rastro de inferioridade? Por quê EGW abriu a Bíblia, citando as passagens sobre acepção de pessoas que já estavam escritas havia quase 2.000 anos?

 
Vejam a que ponto chega as contradições de EGW; chequem as datas após as declarações: Em 1912 (Carta 36- sanatório 07 de agosto 1912), três anos antes de sua morte, ela deixa claro que tal casamento causa embaraço, confusão e não é para a “obra” ou glória de Deus. Mais uma vez: Como que um casamento com amor (e Deus é Amor) não é para sua obra? Será que Deus não colocou mais amor no coração de casais inter-raciais após esses escritos? E aqueles que se amavam quando a mensagem chegou? Então será que Deus “tirou” o Amor de dentro deles? Ou Deus colocou o amor verdadeiro, mas ao mesmo tempo disse:
“Tem amor mais morram sofrendo; não podem se casar”.
Se tal casamento não é da direção de Deus, então, obviamente podemos dizer que Deus não colocou legítimo amor neste casal, pois Deus estaria sendo contraditório. Dizer que um casal inter-racial não deve se casar, é o mesmo que dizer que tal casal não se ama de verdade; então como poderemos afirmar isso? Baseando-nos na cor da pele? Ocorre que, como já dissemos antes, Deus é amor... Quem é contra o casamento legítimo por amor é contra o amor, e quem é contra o amor, também é contra a direção de Deus. O racismo e o preconceito é que na verdade estão fora da direção de Deus, não o casamento.

 

Ellen White escreveu ainda:

“O casamento é como o amor de Cristo por seu povo escolhido” Carta a jovens namorados pág. 16
Pois é; parece que no caso de casal inter-racial, o amor é “diferente”, não é mesmo?
O que era mais importante?
"O trabalho de proclamar a verdade para este tempo não deve ser prejudicado por um esforço para ajustar a posição da raça negra." Testimonies Vol. 9, Página 214, parágrafo 4.
Perceberam amigos leitores? Não conseguiram? Avaliemos juntos: Jesus Cristo disse que os mandamentos mais importantes, eram os que falavam do amor; e a acepção de pessoas é totalmente contra o amor ao próximo. Mas segundo a Sra. White, o mais importante não era combater o preconceito que impedia o amor ao próximo... O mais importante era proclamar a “verdade” (que ela afirmava estar em seus livros); ou seja, era muito mais importante, as pessoas aceitarem as mensagens contidas em suas publicações; do que se preocupar, por exemplo, com o sofrimento dos irmãos de cor.
O “direito ao racismo”?
Essa é simplesmente de amargar: “Alguns poderiam pensar que tem o direito de derrubar todas as paredes de partição e casam com pessoas de cor, mas isso não é a coisa certa a ensinar ou praticar." ( The Southern Work, P. 15; Ellen White and the Negro Race - www.ellenwhiteexposed.com)

 




Cremos não ser necessário comentar: O texto fala por si mesmo.
 

Retrocesso:

Na grande guerra civil americana (1861-1865) tendo como principais causas a escravidão e o racismo, na qual, graças à Deus, o lado libertador venceu; estima-se que mais de 615.000 homens morreram (80% negros). O sacrifício daqueles que lutaram e morreram contra a escravidão e o preconceito seria em vão? Pois observem, 47 anos depois da guerra terminar, o lado libertador vencer, Deus manda uma “mensagem” desaprovando o casamento entre negros e brancos? O que é isso? Estaria Deus ordenando o retrocesso ao racismo?
 
O resultado da análise de todos os textos citados até agora, nos leva a crer que Ellen White seria mais um exemplo clássico de contradição... ou talvez, conforme o titulo deste artigo; Ela estaria disseminando uma espécie de racismo disfarçado! Analisando as declarações da Sra White, nota-se que ela agiu dentro de um amplo espectro de conveniência. Ela não podia apresentar segregação, pois a Bíblia condena; mas ao mesmo tempo, seguiu a tendência racista da época, que não aceitava tal matrimônio. Assim sendo, escreveu frases a favor dos negros, palavras de apoio a raça negra; só que esse apoio (tapinha nas costas) teve um limite e a proibição de casamento entre brancos e negros... Era tudo que a elite racista da época queria ler. Diante desse fato surge mais uma questão: EGW queria proteger os negros dos brancos ou os brancos dos negros?
Novamente, a atitude da “mensageira” foi muito semelhante à daquele sujeito que diz: “Não tenho nada contra uma jovem branca se casar com um negro... Desde que não seja com a minha filha!” Seria numa linguagem mais simples, como se EGW tivesse dito: “Vocês negros, são iguais a nós, brancos... Mas fiquem na sua! Cada um no seu quadrado”. Ou ainda: “Não sou racista, apenas sou contra o casamento entre brancos e negros...”

 
Em sintonia com o pensamento da época:
Convidamos agora todos a analisarem conosco alguns registros sobre a história do racismo (todos os grifos são nossos):
“Quando os europeus, no século XIX começaram a colonizar o Continente negro (África), encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a idéia errônea de que os negros eram uma "raça" inferior e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. O caso mais extremo foi a instituição do apartheid na África do Sul, em que essa discriminação foi suportada por leis decretadas pelo Estado.

 

Foi durante a expansão espanhola e portuguesa na América que surgiu a ideia de se buscar uma sustentação ideológica influenciada pela religião de que os índios não eram seres humanos. Estes eram animais e portanto era justificada por Deus a sua exploração para o trabalho, desta forma eram socialmente aceitos os suplícios a que eram submetidos, estendendo-se logo esta crença para a raça negra.”
 

  O pensamento dominante na época (fim do século XIX) era fortemente influenciado pelo evolucionismo e pela teoria de seleção natural de Charles Darwin. Segundo as mais expressivas concepções dessa corrente, não somente o negro tende a ser visto como ser inferior ao branco na escala da evolução como o mestiço apresenta em si um problema. Alguns pensadores do darwinismo social chegaram a insinuar que o mestiço seria também infértil. Daí a origem da palavra mulato, termo oriundo de "mula", híbrido nascido do cruzamento do cavalo com o jumento. A explicação ideológica para isso seria a tentativa de desestimular as relações inter-raciais.”

 
 
"O moderno racismo europeu encontrou fundamento teórico na obra do conde de Gobineau, “Essai sur l'inégalité des races humaines” (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) publicada em meados do século XIX. Nela, o autor francês sustentou que a civilização européia fora criação da raça ariana, uma minoria seleta da qual descendiam as aristocracias de toda a Europa e cujos integrantes eram os senhores "naturais" do resto da população. Outro paladino do racismo foi Houston Stewart Chamberlain, que, embora inglês de nascimento, tornou-se conhecido como "antropólogo do kaiser". Publicou na Alemanha, em 1899,Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts” (Os fundamentos do século XIX), obra em que retomou o mito da raça ariana e identificou-a com o povo alemão. Outros autores, como Alfred Rosenberg, também contribuíram para criar a ideologia racista. Esta, convertida em programa político pelo nazismo.”

 
A pergunta que nunca vai calar:
Após esta pequena viagem na história, perguntamos a todos os nobres leitores: Durante o apartheid na África do Sul, qual foi o impacto da “mensagem divina” de Ellen White sobre casamentos inter-raciais? Será que ela “protegeu” os negros ou só piorou ainda mais as coisas? Como as pessoas envolvidas naquele conflito interpretaram as palavras de EWG? Pelo bem da honestidade respondam: Após as informações Históricas acima, alguém ainda arriscaria dizer, que os escritos de Ellen White não alimentaram ainda mais o pensamento racista vigente em sua época ou em qualquer outra?

 
Leis racistas dos homens caindo; mas a “mensageira de Deus” não percebia?
Um pouco mais de história:
Leis anti-miscigenação, também conhecidas como leis da miscigenação, foram leis que proibiam casamentos inter-raciais e por vezes sexo inter-racial entre brancos e membros de outras raças. Nos Estados Unidos, casamento, coabitação e sexo inter-raciais foram denominados como miscigenação a partir de1863.”

 
Na América do Norte, leis contra casamento e sexo inter-raciais existiram e foram praticadas nas Treze colônias a partir do século XVII e subseqüentemente em vários estados e territórios dos Estados Unidos da América até 1967. Leis semelhantes foram também aplicadas na Alemanha Nazista de 1935 até 1945, e na África do Sul durante o Apartheid de 1949 até 1985.”
 
Solicitamos a todos os leitores que atentem bem a tabela abaixo:
 

Decretos das leis anti-miscigenação nas Treze Colônias e nos Estados Unidos –

Leis anti-miscigenação revogadas até 1887

Estado
Adoção da lei
Revogação da lei
Raças proibidas de casar com brancos
Nota
1829
1874
Negros

 
1839
1851
Negros

 
1855
1859
Negros
Lei revogada antes de chegar à constituição estadual
1857
1866
Negros
Lei revogada antes de chegar à constituição estadual
1821
1883
Negros, Nativos Americanos

 
1705
1843
Negros, Nativos Americanos
Aprovou a lei de 1913 que impedia casais de fora do estado de contornar as leis anti-miscigenação do estado
1838
1883
Negros

 
1861
1887
Negros
Último estado a revogar a lei anti-miscigenação antes da Califórnia o ter feito em 1948
1725
1780
Negros

 
1855
1868
Negros, Nativos Americanos
Lei revogada antes de chegar à constituição estadual

A estranha atitude de EGW:

 
Vejam amados leitores: A tabela acima mostra claramente que diversos estados já haviam revogado a tal lei anti-miscigenação, inclusive Michigan, onde Ellen White morou e atuou! Observem que as principais declarações dela contra o casamento misto (Manuscrito 7, 1896 e Carta 36, Sanatório - Califórnia, 7 de agosto de 1912) foram escritos depois que vários estados já tinham revogado a tal lei absurda e racista! E os senhores observaram os anos de revogação? Ellen White estava viva e atuante, porém desconhecemos qualquer tipo de declaração escrita dela, elogiando, frisando ou apoiando a atitude desses Estados. Isso não é no mínimo... Estranho?
 
Após a grande guerra civil americana(1861-1865), a escravidão caiu... Diversos estados na época revogaram a lei antimiscigenação... Mas aí vem a “mensageira” e, ao invés de ser firme nos princípios Bíblicos quanto a acepção de pessoas; não... Ela reacende o preconceito. Isso os Pastores e Teólogos (adventista) nunca te contaram, não é mesmo amigo leitor?

 

 


 

O mais poderoso aliado – Deus:

 

Estimados leitores; não se combate o racismo e preconceito... com mais racismo e preconceito. Não se apaga fogo com gasolina; e o pior resultado das declarações de Ellen White, foi que o racismo ganhou o mais poderoso aliado: Deus. Imaginem um casal de raças diferentes declarando amar-se eternamente... Então vem correndo um adventista com o livro de EGW nas mãos dizendo:
Lamento, mas nada de relacionamento, nada de noivado. Isso não pode ir avante, olha, vamos proteger vocês do racismo, certo? Evitaremos um filho com desvantagem... Pois está aqui, escrito pela representante de Deus na terra, que vocês não podem se casar, é contra a direção de Deus.”
 


 

A mensagem de Ellen white, só acrecentou o argumento “em nome de Deus”, a favor do preconceito. Isso com certeza aumentou ainda mais o racismo e não há como negar esse fato.
Quem aboliu a “mensagem divina” de EGW sobre os negros?
Foi justamente pelo processo de mistura de raças através dos tempos que o racismo foi se enfraquecendo. Famílias de raças diferentes foram unidas através desses casamentos. Graças aos primeiros casais inter-raciais que no passado foram contra a mensagem Whiteana; os mestiços foram crescendo em número. Aos poucos vários movimentos anti-racismo foram surgindo.

 
Perguntamos a todos os leitores: Se Ellen White trazia a mensagem de Deus, quem aboliu essa orientação, ou mandamento? Ela escreveu tal coisa em 1912 e em 1915 ela morreu. Qual o novo profeta que aboliu tal mensagem? A palavra de Deus só pode ser abolida pela própria palavra de Deus. O Novo Testamento dá por cumprido e encerrado o Antigo Testamento. Cadê a “palavra” que encerra ou anula a tal mensagem sobre proibição de casamentos?
 

Quem desobedeceu essa mensagem e se casou, então estava contra Deus? Mas até quando? Se fosse em 1920 (oito anos depois de escrita a mensagem) tal “orientação divina” podia ser desobedecida? E em 1930? E 1935? 1940? 1950? 1958? E 1960? E 1970? 1980?

Pelo bem da honestidade respondam:
 
Quando foi que os casais inter-raciais “desobedeceram” a Deus?
Quando e quem aboliu tal “palavra divina”?

 
 


A própria Ellen White escreveu que: “Deus não consulta nossas conveniências, quanto a seus mandamentos” (Test.seletos vol. 2, pg. 182). Neste caso, então Deus consultou a pecaminosa conveniência do preconceito e se curvou ao racismo?

 


 
Percebam agora como é confusa a linha de raciocínio, tanto de EGW, quanto dos teólogos que são seus defensores:
1 – A sociedade é racista; suas leis são racistas, então Deus manda uma mensagem que separa brancos e negros. Para não distoar do pensamento vigente; a ordem divina proíbe o casamento inter-racial.
2 – Tem início o movimento antirracismo nos Estados Americanos. Leis são abolidas; decretos são revogados; a sociedade começa a mudar de pensamento.

3 – Para não “posar diferente na foto” e não distoar da opinião da maioria é necessário agora desobedecer/ignorar aquela mesma “ordem divina”.
 

 
  A pergunta agora é: Deus mandou uma mensagem simplesmente para que fosse desobedecida mais tarde? Deus não é de confusão; então aonde está a explicação para tal absurdo?


Como podemos observar, categoricamente que quem foi o verdadeiro responsável, tanto pelo surgimento da ordem proibindo casamentos inter-raciais, quanto pelo esquecimento e desuso desta mesma ordem; foi justamente a sociedade da época:

A “inspiração divina” foi fortemente influenciada pelo pensamento vigente. Após isso, tanto a liderança, quanto a membresia, deixaram de lado os “ensinamentos divinos” para também seguir a tendência da sociedade. Simples assim, não há o que complicar...
Questões para refletir:
E se EGW, usando passagens do Evangelho, tivesse aprovado o tal casamento misto? E se ela tivesse dito que o casamento é fruto do Amor, que o Amor não distingue tribo, cor ou raça, que Deus aprova todo casamento não importando os preconceitos dos homens, que toda união com Amor Deus aprova, e etc... O que diriam os adventistas hoje? Que ela errou ao afirmar isso no seu tempo, ou que estava certa seguindo a Bíblia? Complicado de responder?

 
 

Na verdade, qualquer que fosse a “posição oficial” de Ellen White frente a questão; seus seguidores sempre inventariam uma desculpa para tentar provar que ela estava certa:

1 - Se ela afirmasse que o tal casamento não era na direção de Deus; então aqueles que ganham com a venda de seu livros diriam: “Oh, era oportuno para época... Ela fez isso para proteger os negros”.
2 - Mas se ela defendesse o tal casamento; então estaria “reafirmando o Amor de Deus”, estaria “seguindo a Bíblia”, estaria “ensinando mensagens contra o racismo” e etc...

 
Conclusão: Não importa o que dissesse, para aqueles que tem lucros com seu livros ela estaria sempre “certa”.

 


Depois da exposição de todo o conteúdo deste artigo, resta agora apenas uma última pergunta a ser feita:


 
E se Ellen white fosse negra...

 
Será que ela teria escrito as mesmas coisas???

 
 
Artigo adaptado da publicação feita no site: Ex-adventista.com