Dom de línguas? Mas que línguas são essas?

Muitas religiões cristãs afirmam que o “Dom de Línguas” é a capacidade dada por Deus, através do Espírito Santo, ao cristão, de falar em uma língua desconhecida (estranha ao conhecimento) daquela falada naturalmente. É concedida pelo Espírito Santo e não aprendida. As palavras não brotam da mente, mas do espírito. Alguns dizem ser esta forma de linguagem a língua falada pelos anjos.

Alguns teólogos afirmam que o dom de línguas dado no pentecostes, era a capacitação para a evangelização e pregação do evangelho. Muitos não aceitam essa afirmação e dizem que o  Dom de Línguas dado no pentecostes era o falar na língua dos anjos que é incompreensível.

Visto termos duas correntes teológicas sobre esse assunto, uma favorável e outra contraria, perguntamos: Em quem devemos acreditar? Nos que são a favor ou nos que são contra essas manifestações de línguas estranhas? Mas não paramos por aqui. Essas manifestações seriam realmente uma prova cabal para os crentes sobre o recebimento do batismo do Espírito Santo?

Para respondermos essas e outras questões, iremos analisar esse assunto a luz da bíblia e identificarmos o que é “Língua Estranha” no contexto bíblico.

Como sabemos, hoje existem inúmeras traduções e versões da bíblia. Para nosso estudo utilizaremos uma versão mais antiga, a Almeida Fiel, visto que essa versão em sua tradução é a que mais se próxima do texto original em seu contexto.

Para contextualizar nosso estudo, iremos começá-lo lendo a passagem bíblica do derramamento do Espírito Santo no dia de pentecoste.

1 E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; 2 E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 3 E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4 E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5 E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6 E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? 8 Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 9 Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, 11 Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12 E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? 13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. Atos 2: 1 ao 13.

Aquele dia foi uma data importante na igreja primitiva, e para a igreja na atualidade, pois se cumpria a promessa feita por Jesus em Lucas 24: 49, que era o revestimento da igreja com o poder de Deus. Línguas de fogo caíram sobre as pessoas que ali estavam reunidas e todas ficaram cheias do Espírito Santo. O verso quatro (4) diz que começaram a falar em línguas estranhas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Se nós pararmos a leitura do texto bíblico nesse ponto, abriremos margem para as línguas estranhas faladas nas diversas religiões cristãs pentecostais da atualidade, mas o texto continua trazendo luz sobre esse assunto, portanto, temos que prosseguir na leitura.

A bíblia afirma que estavam morando em Jerusalém nessa ocasião, homens religiosos, de todas as nações. Quais nações eram essas? Eram Pardos, Medos, Elamitas, Judeus, Capadócios, Ponto, Ásia, Frigia, Panfília, Egito, Líbia, Cirene, Roma, Creta e Arabes. Quinze nações estavam ali representadas naquela ocasião, quinze idiomas diferentes se apresentavam. No verso oito (8) os representantes dessas nações fazem uma declaração esclarecedora: Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? E complementam no verso 11: todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus”. Se afirmarmos que essas línguas estranhas eram línguas estrangeiras, com base nesses dois textos, estaremos dentro do contexto bíblico. Vamos ler alguns textos para contextualizarmos biblicamente essa interpretação:

Não verás mais aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode compreender e de língua tão estranha que não se pode entender. Isaias 33:19

Porque tu não és enviado a um povo de estranha fala, nem de língua difícil, mas à casa de Israel; nem a muitos povos de estranha fala, e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu aos tais te enviara, certamente te dariam ouvidos. Ezequiel 3: 5 e 6.

Quando Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha, Salmo 114: 1

De acordo com a bíblia, como vimos nos textos acima, povo de língua estranha é toda nação e povo estrangeiro em relação aos isreaelitas.

Alguém pode dizer: As línguas faladas hoje nas igrejas são as línguas dos anjos e é por esse motivo que não compreendemos. Então perguntamos: Qual é a língua falada pelos anjos? Para respondermos a essa pergunta vamos ler mais algumas passagens bíblicas:

E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, donde vens, e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora. Genesis 16: 7 e 8.

Então o anjo do Senhor lhe apareceu (a Gideão), e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso. Juízes 6:12.

E o anjo que falava comigo (Zacarias) disse-me: Clama, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião. Zacarias 1:14.

E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; Mateus 1: 20.

Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. Lucas 1: 13.

E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro. E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. João 20: 11 à 13.

Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão um anjo de Deus, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio. O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus; Atos 10: 3 e 4.

E disse-lhe o anjo (a Pedro): Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me. Atos 12: 8

E fui (João) ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel. Apocalipse 10: 9.

E o anjo me disse (a João): Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres. Apocalipse 17: 7.

De Gênesis a Apocalipse, a bíblia apresenta inúmeros diálogos mantidos entre anjos e os seres humanos. Todos os diálogos são na língua materna de cada pessoa, de forma que ela possa compreender a mensagem de Deus enviada através do anjo. Também, quando um profeta tem uma visão da côrte celestial, onde existe dialogo entre anjos, Deus e Jesus, os diálogos são perfeitamente compreensíveis. Vemos, portanto, que a língua falada pelos anjos são as mesmas faladas pelos homens.

Poderíamos nós aceitar o dom de línguas estranhas como um sinal de que uma pessoa é um verdadeiro cristão e que estaria batizada com o Espírito Santo?

O apostolo Paulo diz: “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis;” 1º Coríntios 14: 22.

Falar em língua estranha e inteligível, como afirmam os teólogos, não é sinal de cristianismo e muito menos de que a pessoa está realmente batizada com o Espírito Santo. Devemos sim, como cristãos e fieis seguidores de Jesus, estudarmos sua Santa Palavra para não sermos confundidos e enganados por satanás.

Valney Vieira