Presbiterianos e o Sábado

01/07/2007| sob o tema Sábado. por Elkeane Aragão


A Igreja Presbiteriana, no Brasil, se subdividiu, mas as partes mantêm a doutrina uniforme. Divergem nas questões administrativas. Assim também são as outras denominações evangélicas (Batistas: Primeira Igreja, Peniel, Filadélfia, Sião, etc.; Assembléia de Deus: Missão, Madureira, etc.)

Os presbiterianos têm origens nas reformas levantadas na Suíça, na França e na Escócia. “No entanto, as raízes históricas dessa igreja podem ser traçadas diretamente de volta a João Calvino.” — R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Volume 3, página 230.


 

Portanto, o grande reformador francês, João Calvino, é o patrono do presbiterianismo.

Agora, discutamos o que pensam, realmente, os líderes PRESBITERIANOS a respeito da obediência a Deus. Defendem eles o antinomismo (doutrina do que se opõe à lei)? O que ensinam os escritores, pastores, mentores, comentaristas e eruditos bíblicos sobre esses assuntos? Os crentes presbiterianos têm sido esclarecidos sobre a questão da obediência, ou isso é considerado assunto sem importância? Vamos analisar isso, juntos.

 

  • O Que é a Lei de Deus, o Que São os Dez Mandamentos?

No Catecismo Maior, que é onde encontramos as instruções essenciais para um crente presbiteriano, na resposta à pergunta 93, encontramos:

“A lei moral é a declaração da vontade de Deus, feita ao gênero humano, dirigindo e obrigando todas as pessoas à conformidade e obediência pessoal, perfeita e perpétua a ela — nos apetites e disposições do homem inteiro, alma e corpo, e no cumprimento de todos aqueles deveres de santidade e retidão que se devem a Deus e ao homem, prometendo vida pela obediência e ameaçando com a morte a violação dela.” - pág. 93.


 

E na resposta à pergunta 98, diz:

 

“A lei moral acha-se resumidamente compreendida nos dez mandamentos”.

- pág. 95.

 

Portanto, a LEI DE DEUS, conforme vimos, “é a DECLARAÇÃO DA VONTADE DE DEUS”!

 

  • Para Que Serve a Lei Moral, os Dez Mandamentos?

O mesmo Catecismo Maior, nas páginas 94 e 95, apresenta uma resposta muitíssimo apropriada.

“A lei moral é de utilidade a todos os homens, para os instruir sobre a natureza e vontade de Deus e sobre os seus deveres para com Ele, obrigando-os as andar conforme a essa vontade; … aos homens não regenerados para despertar as suas consciências a fim de fugirem da ira vindoura e forçá-los a recorrer a Cristo; … aos que são regenerados e crentes em Cristo… para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a maldição dela, e para bem deles, e assim provocá-los a uma gratidão maior e a manifestar esta gratidão por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediência. … A lei moral acha-se resumidamente compreendida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por Ele escritos em duas tábuas de pedra, e estão registrados no capítulo vigésimo de Êxodo.” - Respostas 95 a 98.

 

  • Desde Quando Existe a Lei de Deus, os Dez Mandamentos?

No capítulo XIX, da Confissão de Fé (da Igreja Presbiteriana), nós encontramos a seguinte afirmação:


 

I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la.
 


 

II. Essa lei, depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justiça. Como tal foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas” – pág. 35.

Pelo que lemos acima, não há nenhuma dúvida, entre os mentores presbiterianos, de que os Dez Mandamentos foram dados a Adão, ANTES DA QUEDA.


 

Portanto, a resposta a esta pergunta deve ser: Desde a criação do mundo!

 

  • Existe a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Quem vai responder a esta pergunta é o erudito bíblico JOHN D. DAVIS, autor de um dos mais famosos dicionários bíblicos, que já alcançou várias edições. Ele assegura que:


 

Os DEZ MANDAMENTOS, sendo a lei fundamental e sumária de toda MORAL, permanecem firmes; baseiam-se na imutável natureza de Deus e nas relações permanentes do homem sobre a terra. … A LEI CERIMONIAL a que se refere a carta aos Hebreus 8:7, como o primeiro pacto, ela a declara como antiquada e prestes a perecer. … O Apóstolo não julgou necessário obrigar a ela os gentios, Atos 15:23-28. Tinha função transitória, apontando para Cristo, nosso sumo pontífice por meio de seu sacerdócio, de seus sacrifícios, de suas cerimônias e de seus símbolos.” — John D. Davis, Dicionário da Bíblia, págs. 356 e 357 (versais acrescentados).


 

 

Também da Confissão de Fé (da Igreja Presbiteriana), extraímos essas informações valiosas:


 

III. Além dessa lei [dos dez mandamentos], geralmente chamada LEI MORAL, foi Deus servido dar ao Seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a Sua tutela, LEIS CERIMONIAIS que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as Suas graças, os Seus atos, os Seus sofrimentos e os Seus benefícios… estão todas abrogadas sob o Novo Testamento.” — págs. 35 e 36 (versais acrescentados).


 

Dr. Albert Barnes, notável comentarista presbiteriano, em comentário sobre Mateus 5:18, disse:

“As leis dos judeus estavam geralmente divididas em morais, cerimoniais e judiciais. As leis morais são aquelas que emanam da natureza das coisas — tais como o dever de amar a Deus e Suas criaturas. Estas não podem ser abolidas, pois jamais poderá ser correto odiar a Deus ou aos nossos semelhantes. Dessa natureza são os Dez Mandamentos; e estes nosso Salvador não aboliu nem suprimiu.”

— Notes, Explanatory and Practical, on the Gospel, Volume 1, pág. 65.


 

De tudo que está registrado, fica mais do que claro que os mestres presbiterianos admitem que existam pelo menos duas leis das quais fala a Escritura Sagrada:

  1. Lei Moral – sumarizada nos Dez Mandamentos;
  2. Lei Cerimonial – representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.

 

  • A Que Tipo de Lei, Dentre as Referidas Acima, o Apóstolo Paulo Apresenta em Colossenses 2:16?

O Dr. Albert Barnes, acima referido, e conhecido autoridades presbiteriana, assim se expressou sobre o texto de Colossenses 2:16:


 

” ‘Ou dos sábados’. A palavra ‘sábado’, no Velho Testamento, é aplicada não somente ao sétimo dia, mas a todos os outros dias de repouso sagrado que eram observados pelos hebreus, e particularmente ao começo e encerramento de suas grandes festividades. Há, certamente, referência a esses dias nesse lugar, visto que a palavra é usada no plural e o apóstolo não se refere particularmente a o assim chamado sábado, propriamente. Não há nada que indique tivesse ele ensinado não haver nenhuma obrigação de observar qualquer dia santificado, pois não há a menor razão para crer que ele tencionasse ensinar que um dos Dez Mandamentos tivesse deixado de ser obrigatório para a humanidade.


 

 

“Se houvesse usado a palavra no singular, ‘o sábado’, teria ficado claro, naturalmente, que ele pretendia ensinar que esse mandamento havia deixado de ser obrigatório, e que o sábado não mais devia ser observado. Mas o uso do termo no plural e o contexto, mostram que tinha sua atenção voltada para o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festas, como parte de sua lei típica e cerimonial, e não para a lei moral ou os Dez Mandamentos. De nenhuma parte da lei moral — pode dizer-se ser ‘uma sombra das coisas futuras.’ Estes mandamentos são, em virtude da natureza da lei moral, de perpétua e universal obrigatoriedade.” — Notes on Colossians, edição de 1850, págs. 306 e 307.


 

 

Mais uma questão devidamente esclarecida. E muito bem esclarecida, pelo ilustre Dr. Albert Barnes, comentador de reconhecido valor no meio presbiteriano.

 

  • Qual a Origem do Sábado do Quarto Mandamento?

O Dr. Archibald A. Hodge, membro da Junta Presbiteriana de Publicações, e antigo Professor no Seminário Princeton (Presbiteriano), nos Estados Unidos, escreveu um folheto, no qual apresenta uma defesa da perpetuidade do sábado como dia santificado por Deus. Dele extraímos o seguinte:

“Deus instituiu o sábado na criação do homem, separou o sétimo dia para esse fim e ordenou sua observância como uma obrigação universal e perpétua à raça.” — Folheto N° 175.


 

Conforme o Dr. Hodge, o sábado teve sua ORIGEM NA CRIAÇÃO, antes, portanto, da queda do homem. Antes de ter havida necessidade de um sistema de sacrifícios e rituais típicos.


 

Recorremos, também, ao Professor John D. Davis, a fim de reforçar aquilo que já foi assegurado.

“SÁBADO, Descanso. Dia de descanso instituído por Deus, para ser observado por todos os homens. Tendo completado a obra da criação em seis dias, cessou de trabalhar no dia sétimo. ‘E abençoou o dia sétimo e o santificou; porque nele mesmo cessara de toda a sua obra que Deus criou para fazer’, Gên. 2:1-3.” — Dicionário da Bíblia, pág. 519.

 

  • Há Razões Para Observarmos o Sábado do Sétimo Dia?

Ainda o Professor Davis, com sua autoridade:

“A doutrina ensina claramente que este dia foi ordenado por Deus, para repouso do corpo, e bem-estar do homem; que o deviam observar, imitando o exemplo que Deus dá, e por causa das bênçãos por Ele conferidas.” — Dicionário da Bíblia, pág. 520.

 

Agora, do Breve Catecismo, editada pela Casa Editora Presbiteriana:


 

“O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em Sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado. … proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade, ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossos negócios e recreações temporais. … Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais: o reclamar Ele para Si a propriedade especial do dia sétimo, o Seu próprio exemplo, e a bênção que Ele conferiu ao dia de descanso.”— Breve Catecismo de Doutrina Cristã, págs. 17 e 18.0

 

  • Por Quanto Tempo Deve Durar o Mandamento do Sábado?

Recorremos, ainda desta vez, ao que disse o erudito John Davis:


 

 

“O sábado foi instituído para benefício do gênero humano; as suas obrigações duram enquanto o homem viver e enquanto subsistirem as suas necessidades.” — Dicionário da Bíblia, pág. 520.


 

“A respeito do quarto mandamento, disse Jesus: ‘O sábado foi feito para o homem’; segue-se, pois, que a lei permanece em toda a sua força enquanto o homem existir sobre a terra.” — Dicionário da Bíblia, pág. 356.


 

 

Também afirma o Dr. Thomas Chalmers, pregador presbiteriano, de grande prestígio:

“Para a permanência do sábado, portanto, podemos invocar o seu lugar no decálogo, onde ele permanece abrigado entre os preceitos morais de uma retidão imutável e eterna.” — Sermons, Volume 1, págs. 51 e 52.


 

São do autor T. C. Blake, presbiteriano, a seguinte afirmação, na obra Theology Condensed, páginas 474 e 475, de onde extraímos estas palavras abalizadas:

 

“O sábado é parte dos… dez mandamentos. Só isto já define a questão da perpetuidade de sua instituição. Até… que possa ser mostrado que toda a lei moral foi rejeitada, o sábado permanecerá. O ensino de Cristo confirma a perpetuidade do sábado”.

 

  • Contra o Quê Jesus Se Levantou Com Relação ao Sábado?

“No tempo de Cristo, os fariseus aplicavam a lei do descanso aos atos mais triviais da vida, proibindo muitas obras de necessidade e misericórdia. Acusaram a Jesus por fazer curas em dia de Sábado, ao mesmo tempo em que achavam lícito retirar o boi, o animal, ou a ovelha que tivesse caído dentro de um poço. Também julgavam necessário levar os animais a beber, como em qualquer outro dia da semana, Mat. 12:9-13; Luc. 13:10-17. E não eram somente as curas feitas em dia de Sábado que eles condenavam. Quando os discípulos de Jesus passavam pelas searas e colhiam espigas, e machucando-as nas mãos as comiam, porque tinham fome, os fariseus os censuraram, como se fosse essencialmente o mesmo trabalho de fazer colheitas e moer o trigo. A isto nosso Senhor deu uma notável resposta”. — Dicionário da Bíblia, pág. 520.


 

 

Num livreto, intitulado ABC Doutrinário do Candidato à Publica Profissão de Fé, de autoria do insigne hebraísta Guilherme Kerr, encontramos o seguinte:


 

“Jesus condenou a tradição que os judeus acrescentaram à Lei de Deus”. — pág. 19.


 

 

O escritor presbiteriano Ludugero Braga, no Manual dos Catecúmenos, nas páginas 163, 164 e 165, escreveu o seguinte:


 

“Cristo era israelita e veio para cumprir a lei. Portanto, ele tinha, como bom israelita, de guardar o sétimo dia. Ele guardou-o, porém, no espírito da lei e não da letra, pelo que os fariseus O acusaram de não observar o sábado (João 9:16). … Jesus disse que Ele é Senhor até do sábado (Mat. 12:8). Isto Ele disse por causa do literalismo e fanatismo farisaicos. … Jesus declarou que ‘o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado’(Mar. 2:27), isto é, o dia de descanso é para beneficiar o homem. Em Mat. 12:1-8, encontramos os fariseus censurando a Cristo e Seus discípulos, porque não guardavam o sábado À MODA FARISAISCA.” (itálicos e versais acrescentados).


 

 

Daí, podemos afirmar, com toda convicção: Jesus não Se levantou contra os Mandamentos, nem contra o sábado. O que Jesus fez, foi não Se ajustar às formas e aos acréscimos que os escribas e fariseus fizeram à Lei de Deus.


 

Jesus guardava o sábado conforme o quarto mandamento, e não “À MODA FARISAICA”!

O que fica mais do que claro que Jesus queria confrontar os escribas e fariseus, na maneira deles verem o mandamento do sábado, e não no caso do próprio mandamento, que o Senhor sempre honrou e obedeceu ( Isa. 42:21; João 15:10).

 

  • O Que Deve Fazer o Cristão, Numa Demonstração Prática de Sabedoria?

“São sábios aqueles que temem a Deus e guardam os Seus mandamentos; a sabedoria piedosa, assim adquirida, pelo estudo da lei escrita, pela observação do coração humano, e por uma vida de santidade, quando manifestada, é fonte de vida.” — Dicionário da Bíblia, pág. 356.

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