Os Batistas, a Lei e o Sábado

01/07/2007| sob o tema Sábado. por Elkeane Aragão


Tenho percebido, um tanto preocupado, que as pessoas se filiam a uma Igreja, sem a preocupação de se informarem sobre as suas doutrinas, seus ensinamentos, suas normas e suas regras. Isso é muito sério. Por vezes, membros — na maioria dos casos — não lêem os livros que são escritos pelos pastores, professores, escritores, evangelistas ou teólogos da Igreja a que pertencem, e vivem sem saber como é mesmo que levam o seu cristianismo… Outros — e isto é de pasmar qualquer um! — não têm lido a própria BÍBLIA!

Pergunto: Que tipo de cristianismo é esse, que não incentiva à pesquisa do Livro Sagrado? Não era assim no tempo de Jesus, pois Ele recomendou o exame das Escrituras (João 5:39). No livro de Atos, encontramos pessoas preocupadas em testar, pela Palavra de Deus, se o que o apóstolo Paulo pregava, estava de acordo com o que está escrito (Atos 17:11)! Ninguém era crédulo o suficiente para aceitar como totalmente verdadeiras as palavras do próprio apóstolo Paulo!… Eles conferiam, para ver se ele não estava ensinando as suas próprias palavras, no lugar das Escrituras! E, foram considerados “nobres”, por causa dessa atitude!

Por exemplo, o que ensinam os líderes religiosos da Igreja Batista sobre assuntos que tratam da Lei de Deus, os Dez Mandamentos, e sobre o sábado? Estão os membros simples dessa Igreja sabendo o que os seus escritores estão dizendo?

O profeta Oséias escreveu estas palavras:

“O Meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote [líder religioso], rejeitaste o conhecimento, também Eu, te rejeitarei, para que não sejas sacerdote [pastor] diante de Mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também Eu Me esquecerei de teus filhos.”

Um guia religioso — pastor, professor, evangelista, teólogo — que rejeita a Lei de Deus, está comprometido diante de Deus, e comprometendo o seu rebanho à destruição, conforme o texto do profeta Oséias, transcrito acima. Tal líder religioso será responsável, diante de Deus, pelas almas que venham a perecer, no fogo dos últimos dias.

Temos algumas perguntas a fazer para alguns líderes da Igreja Batista.

  • O que é a Lei de Deus, os Dez Mandamentos?

Quem vai nos responder a essa primeira pergunta é o próprio Manual das Igrejas Batistas, escrito por Edward T. Hiscox, nas páginas 63 e 64. Ele diz:

“Cremos que as Escrituras ensinam que a lei de Deus é a norma eterna e imutável de seu governo moral (Rom. 3:31; Mat. 5:17; Luc. 16:17; Rom. 3:20; 4:15); que é santa, justa e boa (Rom. 7:12; 7:7, 14, 22; Gál. 3:21; Sal. 119); e que a incapacidade que as Escrituras atribuem aos homens decaídos para cumprirem seus preceitos, provém unicamente da natureza humana pecadora (Rom. 8:7,8); livrá-los da qual e restaurá-los, através de um Mediador, a uma obediência não fingida à santa lei, é um dos principais objetivos do Evangelho e dos meios da graça ligados ao estabelecimento da igreja visível (Rom. 8:2-4).”

Precisaríamos de mais alguma informação depois desta, dada pelo MANUAL DAS IGREJAS BATISTAS, que regulamenta todas as praxes da denominação? Creio que não! Vamos a outra pergunta:

  • Para que serve a Lei, os Dez Mandamentos?

William Carey Taylor, Doutor em Teologia, professor de seminário batista por muitos anos, e grande escritor, responde a esta pergunta da seguinte forma:

“Seria uma bênção se cada púlpito no mundo trovejasse ao povo a voz divina do Decálogo, pois a Lei é aio [mestre, guia] para guiar a Cristo.” — Os Dez Mandamentos, página 5.

Já o Pastor Nilson do Amaral Fanini, pregador do programa de televisão REENCONTRO, escreveu o seguinte no seu livro Dez Passos Para Uma Vida Melhor, páginas18 e 19:

“Se quisermos viver em paz com Deus e com o nosso próximo devemos, então, observar o Decálogo…. Devemos obedecer não por medo mas por amor. Precisamos observar as leis divinas tais quais elas são e não acomodá-las de acordo com as tendências da época, esquecendo ou comprometendo as leis divinas que regem a conduta moral.”

Para o Dr. George Eldon Ladd, teólogo de renome, batista, a resposta é a seguinte:

“Está claro que a Lei continua a ser a expressão da vontade de Deus para a conduta, mesmo para aqueles que não estão mais sujeitos à lei.” — Teologia do Novo Testamento, pág. 473.

Conforme disseram esses líderes batistas, a Lei de Deus serve: 1) Para conduzir a Cristo; 2) para nos manter em paz com Deus; 3) para servir como regentes da nossa conduta moral; 4) para expressar a vontade de Deus; 5) para ser regra de conduta, mesmo para os que foram justificados, etc.

  • Desde Quando Existem os Dez Mandamentos, a Lei de Deus?

Quem responde a isto é o Pastor Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários batistas de grande projeção. No seu livro Estudo no Livro de Êxodo, página 133, ele registrou estas palavras:

“Tomemos em consideração que antes de serem dadas as dez proposições, comumente chamadas Lei, já todos os ensinos nelas codificados estavam em vigor. Podemos mesmo dizer que desde que apareceu o homem sobre a terra os princípios do Decálogo tinham força de lei. E, se quisermos recuar mais ao passado, podemos afirmar que nunca houve tempo nem eternidade em que tais princípios não existissem. … Quando o homem foi criado, não lhe foi dada esta lei em forma catalogada, mas lhe foi posta no coração, dentro da consciência, dentro de sua íntima natureza, para que por ela se governasse.” (grifos nossos)

Aí está o testemunho de alguém que estudou bastante o Livro de Deus, e os ensinamentos dos grandes mestres da Igreja Batista. O Dr. Antonio Neves de Mesquita é autoridade muito responsável, e que pode muito bem responder pela Igreja Batista!

  • Existe a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Da obra A Interpretação da Bíblia, de Weldon E. Viertel, autor batista, na página 194, nós transcrevemos este texto: “A Lei pode ser dividida em três tipos: cerimonial, civil e moral. … De acordo com o livro de Hebreus, as leis cerimoniais eram sombras de Cristo. A sombra foi substituída pela realidade de Cristo e Seu ato redentor. As leis cerimoniais foram cumpridas; portanto, a Igreja não observa as leis sacrificiais e os festivais. As leis cerimoniais foram aplicadas a Cristo, em grande parte pelo uso da tipologia.

“… A lei moral continua efetiva; todavia, Cristo deu-lhe outro nível de sentido e aplicação. Lidou com a raiz das atividades éticas, incluindo atividades e motivos (o coração do homem).” (grifos nossos)

Ainda, Antonio Neves de Mesquita ajuda na resposta, quando diz:

“O concerto divide-se em três partes: lei moral ou os Dez Mandamentos (20:1-17); lei do altar ou cerimonial, meio de aproximação a Deus (20:22-26 e o livro de Levítico); e lei civil (21:1-23:19).” — Obra Citada, página 131. (negritos nossos)

  • A Que Tipo de Lei, Dentre as Indicadas Acima, o Apóstolo Paulo Se Refere em Colossenses 2:16?

Da obra publicada pelos batistas, Comentario Exegetico y Explicativo de La Bíblia, (em espanhol) Tomo 2, página 520, de autoria de Roberto Jamieson, A R. Fausset e David Brown, comentando Colossenses 2:16, nós tiramos esta preciosa conclusão:

” ‘SÁBADOS’ do dia da expiação e da festa dos tabernáculos chegaram a seu fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam (Levítico 23:32, 37-39). O sábado semanal se apóia em uma base mais permanente, havendo sido instituído no Éden para comemorar a terminação da criação em seis dias. Levítico 23:38 expressamente distingue entre ‘o sábado de Jeová’ e outros sábados.” (grifos nossos)

Quer dizer: Colossenses 2:16 não está falando do sábado do quarto mandamento. Está falando da LEI CERIMONIAL, e não da lei moral!

  • Qual a Origem do Sábado do Quarto Mandamento?

Vamos, outra vez, consultar o Comentario Exegetico y Explicativo de La Biblia, Tomo I, página 21. Ali nós lemos o seguinte:

“A instituição sábado é tão velha como a criação, dando origem à divisão semanal do tempo, o que prevaleceu nas épocas mais remotas.” (grifos nossos)

Mais uma vez, Antonio Neves de Mesquita, com a palavra abalizada do estudioso:

“Naturalmente, temos de remontar ao princípio da criação, quando Deus descansou dos labores criativos, para encontrarmos a resposta à pergunta sobre a existência do sábado” — Obra Citada, páginas 162 e 163. (grifos nossos)

  • Há Razões Para Descansarmos no Sábado?

O primeiro que nos vai indicar algumas razões é o Pr. Nilson do Amaral Fanini. Num sub-tópico do seu livro Dez Passos Para Uma Vida Melhor, página 41, ele enumera dois motivos para o quarto mandamento:

  1. O Criador descansou. ‘E ao sétimo dia descansou’. Deus nos dá o exemplo de descanso.
  2. É que Deus santificou um dia. ‘Portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.’ Isto é, Deus separou um dia para ser consagrado a ele. Portanto não temos o direito de usar aquilo que não é nosso. O dia é do Senhor. Quando usamos algo que não nos pertence, estamos sendo péssimos mordomos. Mas devemos santificar o tempo. Não basta assistirmos aos trabalhos da igreja. As demais horas do dia devem ser vividas santificadamente.”

De outra fonte batista, nós transcrevemos o seguinte comentário:

” …e repousou no dia sétimo—não para repousar de esgotamento pelo trabalho (veja Isaías 40:28), mas cessou de trabalhar, dando um exemplo, que equivale a um mandamento, para que nós também suspendamos toda classe de trabalho. 3. Abençoou Deus o dia sétimo e o santificou.— fazendo uma distinção própria sobre os outros seis dias, demonstra que foi dedicado para fins sagrados. …É uma lei sábia e benéfica, pois proporciona aquele intervalo regular de descanso que requer a natureza física do homem e dos animais empregados em seu serviço, e a não observância do mesmo traz em ambos os casos uma decadência prematura.”
— Jamieson, Fausset a Brown, Obra Citada, página 21.

De novo, Antonio Neves de Mesquita:

“Seria impossível a qualquer povo desenvolver espírito religioso sadio e moral alevantada sem que houvesse meios adequados. Ora, o sábado, forçando o descanso das coisas seculares e fazendo inclinar a mente para as divinas, relembrando as beneficências de Deus à raça, conseguiria manter em equilíbrio os dois poderes humanos: físico e moral. … O sábado é um elo unindo os homens a Deus por meio do culto, que ele faculta e desenvolve. …Podemos aferir grandemente a espiritualidade de um homem pelo respeito que ele tem pelo dia de descanso.” — Estudo no Livro de Êxodo, páginas 163, 169 e 170.

  • Contra o Quê Jesus Se levantou Referente ao Sábado?

Quem nós vamos convidar, primeiro, para responder a esta pergunta é escritor batista, pastor Enéas Tognini. Ele diz:

“Contra os acréscimos Jesus Se levantou e os combateu, ressuscitando do ‘sábado’ o mais importante, o mais sagrado, que era o amor que se devia a Deus e ao próximo.” — Jesus e os Dez Mandamentos, Pr. Enéas Tognini, batista, pág. 39.

Também de O Novo Dicionário da Bíblia, página 1422, nós lemos estas esclarecedoras palavras:

“Durante o período entre os dois Testamentos, entretanto, foi surgindo gradualmente uma alteração no que diz respeito à compreensão acerca do propósito do sábado. … Paulatinamente a tradição oral foi se desenvolvendo entre os judeus, e a atenção passou a focalizar-se na observância de minúcias. … Foi contra essa sobrecarga aos mandamentos de Deus, pelas tradições humanas, que nosso Senhor se insurgiu. Suas observações não eram dirigidas contra a instituição do sábado como tal, nem contra o ensinamento do Antigo Testamento. Mas Ele Se opunha aos fariseus, que deixavam a Palavra de Deus sem efeito por causa de suas pesadíssimas tradições orais.”

Existem cristãos, mesmo sinceros, que acreditam que Jesus não guardou os Dez Mandamentos, ou o sábado. Até onde vai o conhecimento deles? O que diz a Bíblia? O que dizem os líderes batistas sobre esse assunto? Vamos ver!
Jesus mesmo disse o seguinte:

“Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e no Seu amor permaneço” (João 15:10b).

  • Jesus Guardou o Mandamento do Sábado?

“O quarto mandamento proíbe as atividades materiais, seculares. Por outro lado, ordena na palavra ‘santificar’ um trabalho espiritual, um serviço dedicado ao Senhor. Jesus cumpriu à risca as duas partes da prescrição legal. Ele não violou o mandamento divino como foi acusado pelos Judeus; o que Ele fez foi não ajustar-Se às fórmulas exteriotipadas dos acréscimos engendrados pelas tradições humanas em torno de um mandamento tão simples e tão claro. … Jesus, portanto estava certo, e mais do que certo quanto à guarda do sábado e não os seus gratuitos opositores. …

“Sobre o oceano de confusão agitado pela celeuma farisaica sobre o quarto mandamento, uma coisa paira mais alto e de modo inconfundível: é como Jesus guardou o sábado. Pelo menos três coisas vitais, importantes Jesus fez no sábado: 1) Nem Jesus, nem Seus discípulos fizeram no sábado qualquer trabalho secular; 2) foi regular, sistemática e costumeiramente à sinagoga, onde Se entregava às atividades divinas; 3) Gastou sempre as horas do sábado pregando o Evangelho, como se pode verificar de Lucas 4:16 e Marcos 1:21-39; a curar os enfermos, os coxos, os aleijados, os endemoninhados…”
— Jesus e os Dez Mandamentos, Pr. Enéas Tognini, páginas 42 e 43.

Alguns crentes acham que eles mesmos é quem devem escolher o dia para o descanso e culto. Que esta questão deve obedecer, antes, a conveniência das pessoas do que um claro “Assim diz o SENHOR”.
Será que deve ser assim mesmo?

Biblicamente, “o sétimo dia [da semana] é o sábado do SENHOR” (Êxodo 20:10).

Mas, o que dizem autoridades religiosas dentre os batistas?

  • Quem Deve Servir de Modelo, Padrão, Para A Observância do Sábado, como Dia de Descanso e Culto?

“Pelo motivo dado para que se observe o dia de sábado nos Dez Mandamentos, aprendemos que o exemplo do descanso sabático havia sido dado pelo próprio Deus por ocasião da criação. O sábado, portanto, é uma ordenança da criação (Êx 20:8-11). … o padrão é assim deixado para o homem seguir. … A linguagem usada é propositalmente forte a fim de que o homem possa aprender a necessidade de considerar o sábado como um dia em que ele mesmo precisa de descansar de suas labutas diárias. … Deus, e não o homem, é que deve determinar de que modo o sábado precisa ser observado.”

— O Novo Dicionário da Bíblia, páginas 1421 e 1422. (sublinhado nosso)

Texto: Pr. Natan Fernandes
 

 

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